Rios de tinta, para usar um chavão conhecido, já foram despejados em milhares de toneladas de papel para afirmar a importância dos jornais para a sociedade. Hoje podem ser encontradas milhões de referências ao "papel" dos jornais sem necessitar-se de uma base de papel impresso. Nas telas e brilhos dos computadores, celulares e tablets, essa importância é ressaltada permanentemente pela onipresença da informação jornalística de qualidade encontrada no ambiente digital.
A democracia, tão ansiada e vilipendiada ao longo da história, não prospera na ausência de uma imprensa livre. É bem conhecida a expressão do principal autor da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que afirmava ser preferível jornais sem governo a um governo sem jornais. Boa parte da importância dos jornais é atribuída a um dos aspectos de sua atuação, o de representarem a chamada opinião pública, função essencial para manter as autoridades em alerta sobre o que se passa entre os governados.
O Correio do Povo, no entanto, mesmo sem abrir mão de uma representação sincera e precisa da opinião pública, já em sua fundação, em 1895, optou por não ser um espelho, mas sim uma janela para o mundo e para que seus leitores conheçam mais do que uma só opinião ou versão de um fato. "Independente, nobre e forte - procurará sempre sê-lo o Correio do Povo, que não é órgão de nenhuma facção partidária, que não se escraviza a cogitações de ordem subalternas" escreveu o fundador Francisco Antônio Caldas Júnior no primeiro editorial, que tem servido como uma espécie de Constituição para gerações de dirigentes e funcionários desta Casa ao longo de 13 décadas.
Atualmente, quando amplos setores sociais são pressionados a se radicalizar em extremos alimentados pelo desconhecimento do outro, não só em política, é necessário ressaltar que o Correio do Povo aspira a ter sempre a mesma coragem do fundador, que assumiu a imparcialidade ativa como a meta para seus sucessores, mesmo em um tempo em que os outros jornais eram essencialmente partidários. E ele o fez quando o Rio Grande do Sul mal saía da carnificina da Revolução Federalista de 1893.
Mesmo com fortes motivos pessoais para seguir na senda do radicalismo que opunha maragatos e chimangos, Caldas Júnior teve a coragem de buscar contribuir para a pacificação do Estado, assegurando um espaço para que as correntes adversárias não encontrassem apenas um espelho dos correligionários, mas que abrissem uma janela para conhecer e reconhecer as diferenças e convergências.
Havia mais, e ainda há: atualmente é fácil reconhecer que praticamente todos têm opiniões, e elas estão por aí espalhadas em milhões de publicações, stories e muitos outros formatos que o advento da Internet propiciou. E Caldas Júnior estabeleceu outra orientação para que as páginas do Correio do Povo não fossem vítimas inertes da gritaria que se estabelece em diversos momentos históricos, como agora. "Jornal aberto a todas as manifestações de pensamento, estas colunas estarão sempre francas a quantos queiram, com elevação de vistas, tratar de assuntos de interesse geral, discutindo ideias e opiniões sobre política ou literatura, indústria ou comércio, ciências e artes", dizia o editorial.
Pois é esta "elevação de vistas" que separa um jornal como o Correio do Povo do panfletarismo que costuma alimentar os algoritmos que mais e mais levam milhões de pessoas a encontrarem apenas espelhos de suas próprias opiniões ou interesses nas "bolhas" das plataformas digitais.
Ler o Correio do Povo, em suas diversas plataformas, é uma garantia de não ser a presa de uma "bolha". O interessado em Esporte será confrontado com uma importante notícia de Economia que o guiará em seu trabalho; a autoridade não verá apenas a própria foto sorridente, mas encontrará uma crítica assertiva; aquele que busca a programação cultural verá também como anda a segurança em sua cidade.