130 Anos de Jornalismo

Jornalismo: Cadernos especiais trouxeram relevância e força ao Correio do Povo

Ao longo dos 130 anos, a cultura e o campo têm espaço de destaque no jornal

Além das edições diárias, cadernos e suplementos apresentam conteúdos diferenciados e de grande relevância
Além das edições diárias, cadernos e suplementos apresentam conteúdos diferenciados e de grande relevância Foto : Ricardo Giusti

O jornal impresso enfrenta, desde a sua criação, a limitação do espaço físico, o que muitas vezes gerou críticas sobre a ausência de profundidade ou espaço limitado para trazer conteúdos para além do factual. Contra essa lógica, o Correio do Povo foi pioneiro em vários momentos ao longo destes 130 anos ao investir em suplementos especializados e com conteúdos diferenciados. Dois deles seguem tendo relevância no jornalismo: o Caderno de Sábado e o Correio do Povo Rural.

A ligação do jornal com a temática cultural existe desde a primeira publicação. Na edição n° 1, o rodapé da quarta página continha a publicação do primeiro folhetim “Os Farrapos”, de Oliveira Bello. E também foram nas páginas que escritores, de diferentes gerações conseguiram espaço e visibilidade. A consolidação dessa trajetória se deu em 30 de setembro de 1967, quando P. F. Gastal e Oswaldo Goidanich fundaram o Caderno de Sábado que teve quase 700 edições até 1981 e retornou em 2014, seguindo até os dias de hoje.

“Ao longo de sua história de quase 60 anos, o Caderno de Sábado tem sido o principal suplemento de cultura, literatura e ideias do país, responsável por divulgar artigos e ensaios de grandes nomes da cultura brasileira e por formar pelo menos duas gerações de intelectuais gaúchos e brasileiros”, ressalta o editor de cultura, Luiz Gonzaga Lopes.

Outra ligação que só se fortaleceu ao longo dos 130 anos de existência do jornal foi com o campo. E nas quase sete décadas da criação do Correio do Povo Rural, a cobertura agropecuária passou por transformações. Um caminho mais dinâmico para a abordagem de temas mais complexos ligados ao campo, área essa que recebe cada vez mais atenção pelo impacto econômico, mas principalmente social.

“A informação de qualidade sobre a agropecuária, para muito além da sua importância econômica, tem um caráter social e de compreensão da própria existência. O agricultor/pecuarista é quem garante a segurança alimentar, assegura o uso produtivo da terra e, em grande medida, é parceiro no bom aproveitamento dos recursos ambientais. O jornalismo rural tem a função de desfazer mitos que alimentam posições políticas que nem sempre estão corretas e que podem derivar da interpretação e não do conhecimento”, afirma a editora de rural, Nereida Vergara.